domingo, 14 de setembro de 2014

Corações bebados


Eu seria só eu.

no final das contas 
dos rascunhos
das conversas não tidas
das ensaiadas
dos gestos trazidos
do silêncio perturbador
de todos os acontecimentos
das discussões em vão
da necessidade de ter razão
e da minha de nunca ter.

Eu seria só eu.

Incompreendido.

Não há palavras que definam melhor.
Sequer há palavras
Sequer há algo ainda...
Só minha incompreensão, comigo mesmo.

Talvez seja a hora de aprender a ceder um pouco mais
de aproveitar cada segundo
sem se preocupar
com o pensamento adverso
que me causa tanta confusão.

Sei eu de coisas que talvez
ninguém saiba mais.
Sinto e compreendo demasiadamente
vocês com quem nunca convivi
e posso sentir sim
o mesmo vazio
a dor que lhe perseguem
como já perseguiu a mim.

Como um animal
que em primeiro contato
Se esconde 
e foge
Com medo de ser aprisionado.

Quero e preciso ser livre
Subir aos céus
e lá viver
É triste dizer adeus.

Nunca mais
nos encontraremos.

Essa é a última volta
eu queria ter aproveitado um pouco mais
O tempo. /com você\

Bem que possa ser que só eu pense assim
em meio a milhões iguais a mim
que todos os dias buscam
o pecado de uma ilusão
da fuga de uma realidade
de uma vaidade frígida 
dos sentimentos artificiais 
Completando-se com estranhos pela noite.

E não consigo entender.
Esse prazer
tão mínimo
por algo tão infame
Tão radical
Uma vida induzida pela sociedade
de que somos felizes
Com estranhos em bares
Com corações bêbados.

Festa nos mares.
Loucos nos ares.

Guerra nos lares.

E eu vivo em vão
com medo de ficar igual
aos desiguais a mim...

E já fiz tão igual... 
que o julgamento é feito à mim.

E nutro um amor tão simplório
por acreditar
em um pecado indelével
de amar o mundo
e o que há nele.

E ei ainda de ser incompreendido
Porque vivo em um lugar 
que não há espaço para os que amam
Só para os que sentem
os sentimento artificiais.

Os corações bêbados.