Uai
Chegamos tão longe, andamos há tantos, para só hoje, e só nesse agora, perceber que essa história, nunca foi e nem há de ter glória?
- Mas mundo a fora - eu o disse - mundo a fora, aqui pequeno, o que nasce da terra e cria raiz, fica para sempre. E quando sai, é porque se foi, e foi longe, e para onde? eu não sei lhe responder, nem se quisesse muito.
Escutou-me todo com relento, com cara de atento, despiu de seu rosto um broto de sorriso de menino sonhador. E fracamente pronunciou, como se palavras de sábio estas fossem - mundo a fora, mundo a fora, quem não vai embora, não faz história.
E mal ele, e mal eu - um velho rabugento, já jogado e chutado pela vida - sabia que havia plantado uma sementinha de esperança, que este garoto com o sorriso meio bobo ia regar aos anos de sua vida, um desejo alienável de ir, ir e não criar raiz.
E eu, nunca o disse de que não o era capaz. E de certa, nem sei eu, e nem ninguém mais, sabe se o garoto de sorriso bobo, vai dar conta do recado.