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A realidade imposta a mim é docemente negada, eu mesma dou-me o luxo de iludir-me com a mais sincera verdade, escuto as mais diversas opiniões, aceito os mais singelos conselhos, até dos mais infantis aos mais indelicados... escuto um a um com total atenção e aflição, firmemente esperando a resposta que nunca virá, que por anos nunca me veio, e em outros anos desaparecerá... não vale a pena.
O que não vale? Questiono todo dia, o que me vale a pena e o que faz valer. Os mais singelos momentos que eu desperdicei por orgulho impróprio? O tempo perdido, e o maldito espaço em branco dos anos que se seguiam. Então que merda faz as coisas valerem a pena, porque estou no ápice da minha ingratidão e não sei chegar a resposta, porque a única saída que me dão é uma frase estúpida sem nexo algum - não vale a pena. Ah porra, se fosse para valer a pena, não estaríamos sentados debatendo um assunto que não merece nem a tempestade no copo d'água...
Eis, o momento da minha ilusão, tentando criar aquela falsa esperança, que brota e morre rapidinho. Que a tristeza bate e fica rodeando, lamentando pelas coisas que nunca puderam ser. Eis o momento que leio e releio anotações, texto que lembram e relembram o que eu deveria esquecer.
Um fragmento, que desestabiliza todo um potencial: "Não sabia o que fazer com os dias que passavam, nem com os dias que nunca chegavam".
Tento especificar qual mais triste chega ser: a ilusão de que vale a pena ou a inegável verdade de que não vale.
Mas, veja bem meu amor, não estamos sangrando, isso é pura ficção.
É besteira, é prato feito, é coisa que se resolve rápido, a resposta é única, e só quem sabe dela sou eu, e doa a quem doer, o susto é rápido. Não tem essa de levanta segue em frente, nem sequer caímos ou falhamos, nem sequer tentamos...
A vista é mais bonita acompanhada. Dure um dia, dure eternidade. Dure o que for, mas pelo o que durar... Não terá valido a pena... Valerá, mas não como uma pena. Mas como deveria ser. Por dor ou por amor.
(...)Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi(...)
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi(...)