Como uma cobra, você está sempre a
prontidão para dar o bote, alastrando seu veneno. Mas meu amor, você
se esqueceu?
Havia um paraíso para mim, coloquei-o
em chamas, até hoje queima num loop infinito. Me ludibriei em busca
de um novo - novo amor, nova esperança, novo paraíso - tempo
perdido. Nunca cogitei essa ideia, não para mim, nem a pensei em
realizar, sempre quis fugir, subir aos céus e esquecer. Mas ainda
quis reencontrar com esse antigo paraíso, dilacerado.
Como num funeral, as cinzas permutam
nossos caminhos, eu o percorria duvidando de mim mesmo.
Chamada solidão, anjos caídos em nome do amor, sentimento nunca
abstraído e qualificado por mim. Caí no vicio, hoje precisando
acreditar em algo. Nada para se sustentar, nem argumentos perdidos ao
ar. Estou batendo a porta do inferno, porque as vezes estou triste.
Mas, veja bem, essa é uma estrada
isolada para homens solitários, que apreciam uma boa visão, sempre
com um atrativo para problemas, mesmo que não o cause, eles giram em
torno de você. É apenas uma estrada isolada, e eu carrego essa
sensação de amargura comigo, vestido de um terno de decepções.
Você pode ver o mal em meu olhos,
entender perfeitamente como eu me sinto, como não me importo quando
crianças choram, uma casca vazia. As vezes estou triste, não pelo
passado, mas como não pude lidar com o mesmo, sufocado em mentiras e
lágrimas. Menina, nós nunca fomos certos... mas eu ainda quero
continuar tentando. Há um oceano dentro de você, é bonito de se
ver, mas você só tem me afogado, suas ondas tem me levado de volta
a terra... isso assusta, faz-me ir embora, voltando para minha solene
obscura e amargurada solidão. Mas eu vou voltar a tentar. Você
esqueceu? que você já me deixou nadar nessas águas, que você já
foi silenciosa por mim, que você me permitiu.
Eu vou trilhar mais uma vez esse
percurso indigno. Ouvir um pouco minha consciência pesar. Mentir um
pouco para mim mesmo de que está tudo bem. Algum outro dia, em algum
tempo, em alguma vida, a gente se acerta.